Incrível como me entristece acabar um livro. Ainda mais se for a respeito da vida do rei do soul, o fabuloso Tim Maia. Ontem quando li a última frase do livro, que dizia assim: “No dia 15 de março de 1998, às 13h03, o coração do gordinho mais simpático da Tijuca parou de bater”, confesso que fiquei com lágrimas nos olhos. Não só por ter, pela primeira vez, testemunhado a morte do meu mais novo ídolo, mas porque terminava um livro bom e que nas últimas semanas fez parte da minha vida praticamente em todos os momentos vagos.
Poderia dizer que o Nelson Motta escreve muito bem, e realmente escreve, mas tenho certeza que mais do que a coesão textual, a história de Sebastião Maia é uma das mais cativantes e, suponho eu, isto seja apenas reflexo da pessoa cativante que ele foi.
Neuras, bravices, loucuras, manias, piadas, ritmo, tudo, absolutamente tudo de bom, e de ruim, coube àquele homem corpulento e talentoso. Deu gosto saber que há anos atrás um músico era reconhecido pelo seu talento e nada mais. Porque Tim, apesar de todos os pesares que circundaram sua agitada vida, foi amado e respeitado por todos, simplesmente por ser talentosíssimo.
Ele era detalhista, cuidadoso e apaixonado e fez por merecer. Não teve medo de se indispor com qualquer pessoa que fosse para que sua música fosse a melhor de todas, e pra mim, isso sim é artista.
Não me importa se ele faltou em shows, falou bobagens, cheirou toneladas de cocaína. O que me importa é saber que antigamente existiam músicos de verdade no Brasil, sem medo de gravadoras, público, ou vontade de fama. Um artista que queria criar, cantar, dançar e se divertir com o que fazia, e o melhor, disposto a dedicar sua vida inteira para ser cada vez melhor.
Enfim, fiquei triste pelo livro sim, mas mais ainda por termos perdido um cara peculiar no nosso meio artístico. Alguém que eu adoraria ter conhecido melhor em vida e que vou, com certeza, admirar por muito e muitos anos.
Salve Tim Maia!
*Abaixo um vídeo com um pouco deste ser.