O ano do turnpoint

Mais de um ano sem publicar nada e, obviamente, com a chegada de 2011, resolvi voltar. Pode parecer meio cara de pau da minha parte achar que ainda existe alguém por trás dessa página. Mas, a vontade de dividir com o “infinito solitário da internet” meus pensamentos ainda é maior.

O motivo dessas frases de hoje é simples: agradecer. Sim, mas do que falar com Deus de luz a apagada e a sós – como sugere Gilberto Gil – eu quero contar pro mundo o quanto fui feliz em 2011.

Não que eu nunca tenha sido feliz, mas tô pra dizer que este foi o ano mais feliz de toda minha jovem vida. Obviamente, os primeiros anos desses 26 tenham sido incríveis também, mas nada que eu pudesse dividir com vocês, já que a memória não alcança mais. Porém, 2011 foi um ano completo: trabalho, família, amor, bens materiais, espiritualidade, intelectualidade, vida social, tudo como nos conformes e, arrisco dizer, que mais do que nos conformes.

2011 foi o ano que conquistei minha independência financeira, comecei a colher frutos em minha carreira, comprei meu apartamento, fiquei noiva, conheci pessoas novas, cantores novos, li muitos livros, ri para caramba, bebi todas, malhei, voltei a comer carne, amei, beijei, transei e fui muito mais muito feliz ao lado da minha família, amigos e do meu amor.

Sério. 2011 foi um ano do caralho. Primeiro ano que permaneci em um único emprego, que guardei dinheiro, paguei contas altíssimas, construi minhas casa, fiz regime e me controlei. Esse ano eu amadureci como em nenhum outro e foi tão visível, que presencei pessoas rasgando elogios sobre mim sem eu pedir.

Relendo alguns posts do passado, me deparei com um texto que, talvez, explique em poucas palavras o que aconteceu comigo esse ano. Em abril de 2010, eu e alguns amigos nos questionamos em que momento da vida acontece o “turnpoint’. Pois bem, o meu, aconteceu em 2011.

Merolhou!

Perdi o tesão, perdi a mão, já não escrevo mais. Por muito tempo alimentei as páginas brancas com lamúrias, dramalhões, recalques e lágrimas. Mas agora que a felicidade é plena, parece já não satisfazer. É, a felicidade não enche blog, não ocupa os dedos, não é publicada. A felicidade parece que cega, cala e faz esquecer. “Quem era aquela que escrevia aqui? Aquela que sofria de amor, morria de dor?” – “Não sei, acho que melhorou!”

Quando?

Quando as brigas tem sempre o mesmo fundamento, o que se faz?

Quando você percebe que o outro não consegue enxergar o padrão de comportamento, como explicar?

Quando você se tornou o responsável em pedir desculpas todas as vezes, como  mudar?

Quando, apesar de tudo, o amor e a vontade são mais fortes que o resto, como se importar?

Coragem!

Tem posts que parecem nascer de parto normal (e fórceps). Juro que não queria mais uma vez entrar no mérito das confusões mentais e crises humanas, porém, quanto mais eu vivo, leio, escuto e vejo, mais me deparo com o caos que assola as mentes humanas.

Poderíamos começar falando da dificuldade das escolhas nos tempos modernos ou do excesso de expectativas que criamos e acabar citando os errôneos modelos de felicidade que a sociedade nos impõe. Mas, o problema é que divagar sobre isso talvez me deixasse ainda mais confusa e, se fosse possível, ainda mais frustrada. Por isso, resolvi levar a ideia para o outro lado.

Nos tempos das cavernas, se alimentar e ter onde dormir tomavam todo o tempo dos nossos ancestrais. Por isso, estes meros mortais (mais mortais do que nunca, diga-se de passagem) não tinham crises existenciais nenhuma. A felicidade não era nem um conceito e muito menos conhecida como um sentimento necessário para se viver. A felicidade se resumia em dormir bem e conseguir o melhor pedaço de carne.

Por mais que seja impossível para nós imaginarmos, ainda existem pessoas que vivem como estes ancestrais e, portanto, existem muitas pessoas que passam a maior parte de sua vida tentando apenas sobreviver. Felicidade, escolha, expectativa, tudo isso existe, mas em proporções infinitamente menores e bem mais simples.

Não quero levantar a bandeira dizendo que somos uns burguesinhos mal agradecidos ou que estes seres humanos são melhores que nós. O que proponho é que tentemos lembrar com mais frequência que chegamos longe demais e temos muito mais do que um dia imaginamos ter. Portanto, não se deixe pressionar pela pefeição e não entre em colapso diante das escolhas.

O que eu queria mesmo era conseguir pelo menos três dias da semana ser menos reclamona e tentar pensar que, não passar frio ou fome, já é mais do que suficiente.

É foda eu sei, porque até mesmo eu, que bravamente escrevo isso, ao terminar de digitar as últimas letras da frase acima, já não acreditava ser possível. O problema é que não temos vergonha de sermos assim e todos os nossos terapeutas nos encorajaram a sentir tudo. E mesmo que isso seja uma jogada para adquirirem cada vez mais pacientes, eles têm razão, afinal, se vivemos de maneira tão diferente da idade da pedra ou de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria, porque devemos continuar conceituando a felicidade como eles?

A verdade é que no meio de uma reunião estressante, briga com o namorado e trânsito caótico, não dá para se lembrar das pessoas que não têm escolhas. Simplesmente nos firmamos em nossos próprios sapatos e não conseguimos ver um palmo a nossa frente. A busca pela felicidade e perfeição fala mais alto e a frustração nos torna uns filhas da puta mal agradecidos da vida.

Eu me sinto muito envergonhada de reclamar da vida que tenho, exigir sempre mais ou  não conseguir me sentir plenamente feliz por não ter realizado as coisas mais banais que o mundo moderno (e rico) oferece. Mas, por mais envergonhada que me sinta, continuo agindo e pensando da mesma forma, porque simplesmente sou encorajada a isso. E não só pelos terapeutas, mas por todos que continuam acreditando no modelo de felicidade contemporâneo.

É engraçado que  até mesmo se eu não souber divagar sobre as lamentações contemporâneas não me encaixaria no modelo requisitado e me tornaria uma espécie de E.T. Quer dizer,  as frustrações e reclamações fazem parte dos padrões da vida moderna e ai de mim se não seguir a risca. Parece que se a gente não sofrer com essas banalidades não fazemos parte da classe burguesa e pensante e, mais uma vez, nos frustraremos por não estarmos dentro das “normas”. Uma bola de neve, um grande paradoxo e, mais que isso, uma grandiosíssima merda.

Portanto, eu lhes proponho: tenhamos coragem de sermos felizes com o que temos, tenhamos coragem sermos menos exigente, tenhamos coragem de nos comparar com pessoas infinitamente mais pobres que nós e tenhamos coragem de sorrir com um simples prato de comida, do mais PF possível!

Hora da virada

Ontem, entre milhares de questões levantadas por mim e dois grandes amigos, surgiu uma pergunta que há muito tempo me incomoda: em que momento da vida acontece o turnpoint?

E aí, alguém sabe responder?

Seu Sebastião Maia

Incrível como me entristece acabar um livro. Ainda mais se for a respeito da vida do rei do soul, o fabuloso Tim Maia. Ontem quando li a última frase do livro, que dizia assim: “No dia 15 de março de 1998, às 13h03, o coração do gordinho mais simpático da Tijuca parou de bater”, confesso que fiquei com lágrimas nos olhos. Não só por ter, pela primeira vez, testemunhado a morte do meu mais novo ídolo, mas porque terminava um livro bom e que nas últimas semanas fez parte da minha vida praticamente em todos os momentos vagos.

Poderia dizer que o Nelson Motta escreve muito bem, e realmente escreve, mas tenho certeza que mais do que a coesão textual, a história de Sebastião Maia é uma das mais cativantes e, suponho eu, isto seja apenas reflexo da pessoa cativante que ele foi.

Neuras, bravices, loucuras, manias, piadas, ritmo, tudo, absolutamente tudo de bom, e de ruim, coube àquele homem corpulento e talentoso. Deu gosto saber que há anos atrás um músico era reconhecido pelo seu talento e nada mais. Porque Tim, apesar de todos os pesares que circundaram sua agitada vida, foi amado e respeitado por todos, simplesmente por ser talentosíssimo.

Ele era detalhista, cuidadoso e apaixonado e fez por merecer. Não teve medo de se indispor com qualquer pessoa que fosse para que sua música fosse a melhor de todas, e pra mim, isso sim é artista.

Não me importa se ele faltou em shows, falou bobagens, cheirou toneladas de cocaína. O que me importa é saber que antigamente existiam músicos de verdade no Brasil, sem medo de gravadoras, público, ou vontade de fama. Um artista que queria criar, cantar, dançar e se divertir com o que fazia, e o melhor, disposto a dedicar sua vida inteira para ser cada vez melhor.

Enfim, fiquei triste pelo livro sim, mas mais ainda por termos perdido um cara peculiar no nosso meio artístico. Alguém que eu adoraria ter conhecido melhor em vida e que vou, com certeza, admirar por muito e muitos anos.

Salve Tim Maia!

*Abaixo um vídeo com um pouco deste ser.

Sou (a partir de agora)

Não dá mais para começar um texto com “a partir de agora”. Isso já soa como promessa e promessa, pelo menos pra mim, vira lenda. Então, começo este texto dizendo: “sou”. Assim não implica em nenhum tempo verbal programado para o futuro, mesmo que próximo.

Sou uma pessoa calma que não anseia por mudanças rápidas, desafios e, acima de tudo, que é extremamente satisfeita e realizada na vida profissional.

Pois é, sou tudo isso e por isso que não reclamo da vida, não choro a noite e muito menos vivo pensando em um futuro melhor. Amo tudo o que tenho, agradeço aos céus por minhas conquistas e não almejo nada melhor.

Não tenho medo de mostrar minhas fraquezas, porque, afinal, não tenho nenhuma e, mesmo se tivesse, exporia com todo orgulho aos meus amigos fiéis, mostrando-me um ser humano passível de medos, erros e outras regalias mundanas. Enfim, sou o mais próximo do que eu imagino ser a perfeição e nunca deixarei de ser assim.

PS: Entendam que o verbo no presente passou a ser utilizado somente neste texto, o que deixa claro que antes eu não era nada disso. Como expliquei no começo, o “ser “deu lugar ao “a partir de agora”. Agora chega de explicações se não me convenço de que usei o verbo no tempo correto.

A casa dos (nada) budas ditosos

Há tempos tinha vontade de ler “A casa dos budas ditosos”, mas, sem entender o porquê , demorei anos para me render a este clássico da literatura contemporânea-cômica-pornográfica.

Então, após muito relutar, segunda-feira peguei emprestado o exemplar na livraria (aqui na Livraria Cultura, funcionários podem pegar livros emprestados por um mês) e imaginei que depois de ler, devolveria o livro às prateleiras. Mas, para minha surpresa, no decorrer das frases, a vontade de ter este livro exposto na estante foi crescendo.

A estrutura textual é estranha. As frases são longas, muitas vezes desconexas, mas é justamente isso que dá veracidade na história. Realmente parece que a personagem está conversando com você. Ela mistura assuntos, diz coisas que somente alguém com bastante repertório pode entender perfeitamente (já que ela é culta e o tempo todo faz menção a algum autor, filósofo e etc), mas traz a leveza de um mero bate-papo, o que cumpre muito bem o papel que o livro está disposto a fazer: uma história verídica, narrada pela personagem e que não merece dúvidas.

A personagem, que em nenhum momento se identifica, já passa dos seus 70 anos, mas ainda conserva aquela sacada de alguém que um dia já foi bastante descolada (e promíscua). Ela fala de sexo o tempo todo, conta detalhes de suas transas, relembra momentos inesquecíveis de sua vida e faz questão de expor todas as suas opiniões sobre os assuntos mais polêmicos do mundo. E ainda não mede palavras para explicar os pormenores de suas transas, é de “pau” pra baixo. Ela é tão intensa que em suas declarações, mais especificamente sobre sexo, dá para perceber que ela gosta de sacanagem e que viveu intensamente tudo o que uma vida sem preconceitos pode oferecer. Ou seja, não há dúvidas de que essa mulher existe, mesmo que suas histórias sejam a maioria inventada. Tenho certeza, e quero acreditar que esta mulher existe e sente da forma como sente, só não tenho certeza se ela teve a oportunidade de realmente viver todas estas histórias surreais.

Me peguei várias vezes rindo com as besteiras que ela narra, mas também já fiquei boquiaberta com as ideias nada convencionais da velhota. Cheguei a cogitar a minha frigidez, pois da forma que ela fala parece que todos se privam diariamente do prazer e todos, mas absolutamente todos, vivem escondendo suas depravações por pura hipocrisia da sociedade.

Se fosse apenas sexo (mesmo que entre o mesmo sexo) eu juro que entenderia, mas a maluca defende o incesto e o sexo com animais. E o pior é que ela é tão convincente, que como eu disse, cheguei a questionar minhas convicções.

Enfim, comecei o post apenas para dizer que por algum motivo este livro me cativou muito, tanto que desisti de devolvê-lo a livraria e vou dá-lo a minha amiga mais depravada e a que, frequentemente, me convence de que sou antiquada em alguns aspectos. Talvez seja este o motivo pelo qual adorei o livro, pretendo lê-lo de novo e recomendo. É bom escutar sandices, rever conceitos e questionar até o mais inquestionável dos assuntos, acho saudável e válido.

Escrever por escrever…

Nem sempre preciso de crise, problema ou dor para escrever. Claro que as mazelas da vida ajudam a aflorar a criatividade. Não à toa os melhores compositores sofreram de amor ou fizeram sofrer. Mas, também não há nada de errado em querer escrever apenas pela vontade, sem assunto ou propósito. Escrever por escrever.

Quando leio outros blogs surge essa vontade de digitar palavras, mesmo que desconexas. Não acredito que isso seja mérito da minha profissão, mas da minha pessoa que, ultimamente, não tem tido oportunidade de divagar.

A culpa eu sei de quem é, mas não digo. Não digo porque sei que me impediram de reclamar da vida, pois esse lance de reclamação é uma bola de neve. Ou seja, a pessoa me poupou de me tornar uma chata e pessimista, portanto, não posso simplesmente culpá-la, já que ela tem me ajudado.

Porém, a arte de não falar é árdua. Pelo menos pra mim, que vivo infestada de pensamentos, críticas e blablablas. Talvez por isso que o ato de escrever torne as coisas mais fáceis pra mim, pois, aqui, apesar de quase ninguém nunca ler, fica fácil decorrer frases e frases de puro lamento. Ninguém vai achar ruim e ainda podem me elogiar pela ótima atuação textual. Enfim, após muitos meses longe daqui, sinto que novamente este espaço me será útil, divertido e recorrente.

Olha aí, no começo não tinha o que falar, mas acabei encontrando um assunto. Pode não dizer sobre muita coisa, mas já sanou minha vontade. Agora posso acabar esse texto, que nem de um final coerente precisa, afinal, o que eu queria mesmo era escrever por escrever.

A revolta!

Nossas antepassadas queimaram os sutiãs e agora nós temos que lidar com as consequências, mesmo sem termos sido questionadas. Hoje temos que ser bonitas, andar na moda, saber tudo sobre moda, ter personalidade forte e ao mesmo tempo ser dócil, ter opinião sobre tudo; de política a decoração, saber a que passo anda a economia atual do Planeta, fazer um jantar saboroso, trabalhar em um lugar bacana, ganhar bem, dirigir sem ralar as rodas, beber todas e não dar vexame e ainda fazer um belo boquete.

Quer dizer, fizeram de tudo para nos igualarmos aos homens, mas se esqueceram de tirar as nossas antigas responsabilidades. Nós apenas agregamos mais centenas de funções a serem exercidas com excelência e no entanto, não ganhamos muito com isso. Demos mais ferramentas para que os homens nos critiquem e para que nossas cabeças, nada simples, enlouqueçam ainda mais. 

Porra, eu não pedi tudo isso e confesso que se estivesse próxima daquela pira de lingeries, jogaria um belo balde de água fria para acalmar os ânimos das pseudos-independentes. Aposto que só fizeram aquilo porque sabiam que não viveriam o suficiente para colher os amargos frutos dessa palhaçada. E tenho dito.