Pensamento Panorâmico

Escrever por escrever…

janeiro 29, 2010 · Deixe um comentário

Nem sempre preciso de crise, problema ou dor para escrever. Claro que as mazelas da vida ajudam a aflorar a criatividade. Não a toa os melhores compositores sofreram de amor ou fizeram sofrer. Mas, também não há nada de errado em querer escrever apenas pela vontade, sem assunto ou propósito. Escrever por escrever.

Quando leio outros blogs surge essa vontade de digitar palavras, mesmo que desconexas. Não acredito que isso seja mérito da minha profissão, mas da minha pessoa, que ultimamente não tem tido oportunidade de divagar. 

A culpa eu sei de quem é, mas não digo. Não digo porque sei que me impediram de reclamar da vida, porque esse lance de reclamação é uma bola de neve. Ou seja, a pessoa me poupou de me tornar uma chata e pessimista, portanto, não posso simplesmente culpá-la, já que ela tem me ajudado.

Porém, a arte de não falar é árdua. Pelo menos pra mim, que vivo infestada de pensamentos, críticas e blablablas, é dificílima. Talvez por isso que o ato de escrever torne as coisas mais fáceis pra mim, pois aqui, apesar de quase ninguém nunca ler, fica fácil decorrer frases e frases de puro lamento. Ninguém vai achar ruim e ainda podem me elogiar pela ótima atuação textual. Enfim, após muitos meses longe daqui, sinto que novamente este espaço me será útil, divertido e recorrente.

Olha aí, no começo não tinha o que falar, mas acabei encontrando um assunto. Pode não dizer sobre muita coisa, mas já sanou minha vontade então tá bom. Agora posso acabar esse texto, que nem de um final coerente precisa, afinal, o que eu queria mesmo era escrever por escrever.

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A revolta!

janeiro 29, 2010 · Deixe um comentário

Nossas antepassadas queimaram os sutiãs e agora nós temos que lidar com as consequências, mesmo sem termos sido questionadas. Hoje temos que ser bonitas, andar na moda, saber tudo sobre moda, ter personalidade forte e ao mesmo tempo ser dócil, ter opinião sobre tudo; de política a decoração, saber a que passo anda a economia atual do Planeta, fazer um jantar saboroso, trabalhar em um lugar bacana, ganhar bem, dirigir sem ralar as rodas, beber todas e não dar vexame e ainda fazer um belo boquete.

Quer dizer, fizeram de tudo para nos igualarmos aos homens, mas se esqueceram de tirar as nossas antigas responsabilidades. Nós apenas agregamos mais centenas de funções a serem exercidas com excelência e no entanto, não ganhamos muito com isso. Demos mais ferramentas para que os homens nos critiquem e para que nossas cabeças, nada simples, enlouqueçam ainda mais. 

Porra, eu não pedi tudo isso e confesso que se estivesse próxima daquela pira de lingeries, jogaria um belo balde de água fria para acalmar os ânimos das pseudos-independentes. Aposto que só fizeram aquilo porque sabiam que não viveriam o suficiente para colher os amargos frutos dessa palhaçada. E tenho dito.

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Que venha 2010

janeiro 28, 2010 · Deixe um comentário

Em um passeio virtual por blogs de conhecidos, ou nem tão conhecidos assim, me deparei com centenas de resoluções para o ano que acaba de chegar. Uns carecem de dinheiro no bolso, outros de amores inespedados e alguns de coisas banais, como um computador novo ou simplesmente uma reforma na sala. 

O que me deixou intrigada é que até hoje, já no 28º dia do ano, eu ainda não tinha parado para fazer reflexões ou “to do lists” para 2010. Percebi que meu réveillon foi tão afobado quanto o resto d0 ano e por isso nem me atentei em fazer planos ou promessas a mim mesma. 

Claro que se pensar por alguns minutos terei uma lista de no mínimo 50 itens, dos quais 45 não serão cumpridos. Porém, mais interessante do que pensar no que quero, ou devo fazer este ano, é aceitar essa minha fase de não se preocupar com o que está por vir. 

Em 24 anos, sendo uns 12 de vida pensante (ou quase), sempre achei que no dia 31 de dezembro resolveria meus problemas e começaria o ano com força total e toda mudança necessária. No entanto, todos os anos foram iguais nesse sentido. Continuei com os meus defeitos a flor da pele, errei em coisas que sabia que não podia errar e chorei por muitos dos meus pedidos não terem sido realizados.

Sem saber o porquê, faço de 2010 um ano diferente, o ano em que ao invés de promessas, quero apenas surpresas. O ano em que minha lista de resolução deu lugar a um esquecimento mais que grato e super sábio. O ano em que aprendi aceitar as coisas como elas são: boas e às vezes más.

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Michael-Mito

julho 1, 2009 · Deixe um comentário

michael-jackson

O que fez Michael Jackson vender mais discos que Elvis e Lennon após suas mortes? Acredito que seja o fato de Michael sempre ter sido um mito. Quando pequeno, ainda o menino prodígio dos Jacksons 5, ele já era um mito. Com 10 anos ser líder de um grupo de quatro irmãos mais velhos não é algo fácil de se ver por aí. Veja bem, não estamos falando da Maísa e sim de um garotinho que cantava e dançava como nenhum outro artista da época.

O tempo passou, e o Michael-mito continuou a crescer ao passo em que suas bizarrices da vida pessoal aumentavam. Ao mesmo tempo que todos tentavam vê-lo apenas como um excelente artista, não dava mais para separar o talento do bizarro. Aos poucos MJ virou apenas um mito, sendo completamente esquecido pelas fantásticas contribuições que deu ao mundo da música. 

Não é difícil entender porque tanto furdúncio em cima de sua morte, porque tantos discos vendidos. Não é porque ele era melhor que Elvis ou Lennon (acredito que não existem comparações entre os três), é porque simplesmente ele foi muito mais mito do que qualquer outro artista das últimas décadas. É como se o público quisesse se reconectar a Michael após sua morte, tentando achar na melodias de suas músicas e em seus passos de dança o artista que há tantos anos tinha sido encoberto por histórias quase surreais. O Elvis e Lennon eram Elvis e Lennon, no máximo Rei do Rock e Rei do Iê Iê Iê, agora Michael, além de ser o Rei do pop, foi pedófilo, racista, louco, mentiroso…

Meu amigo disse uma coisa certa: “Se Deus existe, ele deu mancada… viva Michael Jackson!” - o artista!

* Texto retirado do meu outro blog, Momento Livre, entra lá!

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Segunda, 22/06 – 10h no Metrô Consolação

junho 19, 2009 · Deixe um comentário

Diretórios acadêmicos de várias faculdades de Jornalismo estão convocando estudantes e jornalistas para uma manifestação de protesto na Capital contra a decisão do STF, que extinguiu a obrigatoriedade do diploma universitário para exercício da profissão. Será segunda-feira (22/6), às 10h, no Metrô Consolação (Av. Paulista, altura do nº 2163). Os organizadores sugerem vestir preto, trazer nariz de palhaço e uma colher de pau. 

FONTE – SINDICATO DOS JORNALISTAS DE SÃO PAULO

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Eu, jornalista…

junho 18, 2009 · Deixe um comentário

Então é assim, nós passamos quatro anos dentro da universidade nos empenhando, dedicando e tentando a cada dia que passa ser um profissional melhor, para alguém vir dizer que “fazer jornalismo é como cozinhar, se aprende rapidamente”? Posso concordar com muitos dos argumentos dados pelo STF, mas dizer que a decisão é em prol da liberdade de expressão não rola. A liberdade de expressão já existe, existem também inúmeras ferramentas para um indivíduo se expressar. A revolução tecnológica chegou e deu mais ênfase exatamente a isso, liberdade de expressão, tráfego de informações sem limites. Agora dar na mão de qualquer pessoa a narrativa jornalística não faz sentido algum. Estudamos jornalismo para criar uma narrativa com singularidade, estudamos jornalismo para criar uma narrativa feita com dever ético, estudamos jornalismo para dar o direito à informação e assim gerar debate público e isto é muito sério. Não podemos negar que as teorias e conceitos que estudamos durante quatro anos não sejam mais necessárias. A principal narrativa contemporânea é o jornalismo, é através dele que a população cria seu senso crítico e consegue cobrar ações e exigir direitos. É o jornalismo que tem o dever de vigiar os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e servir como um alerta para todos os cidadãos. E como podem dizer que uma pessoa com tamanha responsabilidade não deve ter um diploma?

Quer dizer, criticam o nível do jornalismo brasileiro atual, mas ao invés de exigir uma melhora na formação do profissional ou um maior dever ético, eliminam a obrigatoriedade do diploma? Deveria ser bem o contrário, deveriam nos incentivar em nos empenhar ainda mais, estudar ainda mais e elevar muito mais o nível dos cursos universitários, e não depreciar nossa profissão, nos tirar todo mérito e nos comparar a cozinheiros. Fazendo uma analogia, é o mesmo que tirarmos o diploma de um advogado, afinal, a Constituição foi feita à todos, assim como a liberdade de expressão deve ser aplicada à todos.

Concordo que certos “cargos” jornalísticos não precisem de formação. Um comentarista, um articulador, estas pessoas estão dando sua opinião a respeito de um assunto o qual eles tem expertise para isso, mas não estão exercendo efetivamente o trabalho do jornalista, não estão apurando informações, criando sua melhor versão da realidade e tentando criar uma narrativa imparcial e objetiva. Deveriam entender que existe uma grande diferença em escrever texto opinativo e escrever um texto jornalístico. Escrever realmente qualquer um pode fazer, agora criar uma narrativa jornalística não consiste em apenas escrever ou descrever um fato, existem muitos outros conceitos por trás disso, que obviamente as pessoas envolvidas nesta decisão não sabem da metade.

Agora temos que correr atrás do tempo e fazer nossos nomes em meio a uma profissão quase sem crédito. Devemos esperar para concorrer com pessoas com apenas algum curso técnico de gramática ou redação, e observarmos o jornalismo brasileiro perder cada vez mais credibilidade, pois se agora já existem tantas críticas, imaginem quanto todos se derem conta de que não existem diplomados por trás de uma matéria? 

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A Troca

junho 17, 2009 · 1 Comentário

Hoje um amigo me contou uma ótima idéia, imaginem se pudéssemos trocar o coração pelo fígado? Mal acabei de escrever a frase e aposto que já deve ter alguém gritando: Eu quero! Pois é, pensem como poderíamos beber mais e amar menos. Pensem quantas frustrações amorosas te pouparia esta troca. Seria a solução de muitas recalcadas e recalcados por aí.

Sem o coração não há sentimento e com o fígado é só alegria de bêbado. Provavelmente o fígado teria mais espaço estando na cavidade toraxica do coração e como passaria a ser o órgão mais importante do corpo, seria muito mais potente. A cirrose ia demorar muito mais para chegar e você aproveitaria a vida sendo alcoólatra sem o menor problema. Aliás, esta mudança acabaria com diversas outras questões contemporêneas, como a busca pelo emprego dos sonhos, casa própria, qualidade de vida. Uma pessoa sempre embreagada nem se preocupa com tudo isso, ela quer é beber e cair por aí, sem nenhum sentimento para atrapalhar. Porque o coração não é só sinônimo de amor, ou você acha que a culpa, o martírio, o arrependimento vem da onde? Definitivamente te pouparia de todas essas baboseiras e deixaria um órgão muito mais útil no lugar, ignorante de sentimentos e capaz de filtrar todo álcool do seu sangue. 

Acho que tá mais que comprovado todos os benefícios desta troca, aliás sugiro a Deus que antes de ele nos mandar aqui pra baixo deixe em aberto esta questão.

- “Você aí, vai de coração ou fígado?”

Obs: Este conto não faz parte de nenhum lamento ou frustração. Quero deixar claro que meu coração continua me sendo muito útil e que permanece cheio de amor.

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Velhos amigos, amigos velhos

abril 22, 2009 · 2 Comentários

Reencontrar amigos é sempre uma grande aventura. Pode ser uma experiência muito empolgante, como pode ser um total desastre. Você pode se decepcionar ao ver que aquele amigo, agora muito mais velho, nada mudou. Você pode se aborrecer ao perceber que a vida do seu amigo não evoluiu e que suas piadas, assim como ele, continuam velhas. Você pode entender claramente porque ficaram tantos anos sem se falar assim que ele começa a discorrer suas opiniões sobre religião, política e relacionamentos. E o pior, pode definitivamente perceber que por causa das brigas a velha amizade, de tão velha, falecerá.

É realmente complicado rever amigos, principalmente daquela época em que vocês nem vocês eram, mas já tinham suas desavenças marcadas. Da época em que éram jovens demais para perceber as diferenças, mas velhos o suficientes para manter a relação. Mas, apesar de tantas complexidades criadas por esta cabeça infestada de pensamentos nem sempre coerentes, ontem me permiti ter um encontro de velhos amigos e confesso que foi muito melhor do que eu imaginava.

Foi muito bom reencontrar os rostos conhecidos, que apesar das mudanças, ainda pareciam tão familiares. Dar um abraço apertado, olhar nos olhos e ouvir a voz, daquele que um dia já foi grande parte da sua vida. Foi gratificante saber que eles estavam felizes, que cresceram de alma e intelecto, e foi super positivo trocar idéias, ainda que muito divergentes. É excelente quando você descobre que o velho conselheiro, ainda tem muito a te acrescentar, ou que o velho crítico ainda tem muito a te elogiar… (continua)

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Você é a pessoa favorita de alguém?

abril 22, 2009 · 2 Comentários

Hoje um amigo me mandou um vídeo sobre uma pesquisa um pouco incomum, mas muito interessante. O objetivo da pesquisa era responder uma pergunta simples: Você é a pessoa favorita de alguém? A reação dos entrevistados são contraditórias, mas acho que mais do que o vídeo em si, o que realmente permanece em nossa mente ao assistí-lo é a pergunta velada: Será que sou a pessoa favorita de alguém? Não sei direito com qual propósito mandei o vídeo pra todo mundo, querendo compartilhar essa questão que por um momento me ajudou a fazer avaliações individuais da vida. Afinal, inevitavelmente fiquei criando em minha cabeça os favoritos dos meus favoritos e almejei ardentemente que todos que tanto pensei, também pensassem em mim. Questionei o conceito do favorito: será que existe apenas um? Questionei a volubilidade do favoritismo, que vezes se atrela tão forte a algo, ou alguém, mas que em um piscar de olhos pode dar lugar a outras coisas, criei histórias dramáticas onde aquele egoísta resolve mudar suas atitudes apenas porque percebeu que não é a pessoa favorita de ninguém, e pensei qual a importância que as pessoas dariam a isso e psicologicamente o que isso significaria a cada uma delas. Enfim, pensei, questionei, raciocinei e mais uma vez percebi que quase tudo que reflito hoje em dia tem um propósito ótimo: ser alguém melhor. Agora, se isso irá repercurtir positivamente a todos eu não sei, só sei que eu consegui, mais uma vez, tirar de um simples email, boas lições.

 

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Teresinha e seu terceiro

abril 17, 2009 · Deixe um comentário

Nunca soube que o Chico era vidente, mas depois de perceber a Teresinha dentro de mim tive certeza que este homem sabe tudo…

“O primeiro me chegou como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada, e, assustada, eu disse não

O segundo me chegou como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada, e, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração”

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